Idosos: em quarentena, sim, mas com qualidade de vida

O distanciamento social imposto para combater a epidemia do novo coronavírus fez muita gente repensar os hábitos, redobrar a atenção com a saúde, além de refletir sobre a qualidade de vida. Nesse cenário ganhou destaque também a questão do cuidado com os idosos. Isso porque eles integram o grupo de risco para Covid-19, em razão das possíveis fragilidades inerentes ao avanço da idade, segundo o Ministério da Saúde*.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica como idoso o indivíduo com 60 anos ou mais. E de acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, aproximadamente 13% da população está nessa faixa etária, o que corresponde a mais de 28 milhões de pessoas**. Pensando nesse público, e para ajudar os profissionais que cuidam deles, especialistas em saúde e bem-estar do Senac São Paulo selecionaram algumas dicas importantes.

Adaptação da rotina

É importante manter os horários definidos para as atividades do dia a dia o mais próximo possível de como eram antes da pandemia. “Alimentação, remédios, hábitos e costumes são importantes para regular o funcionamento natural do corpo. Mudanças bruscas causam sensações adversas. Aquilo que não for possível deixar como era deve ter alterações graduais para permitir uma boa adaptação e deve ser justificada ao idoso”, explica Mirna Blum, enfermeira especializada em obstetrícia e ginecologia e docente do curso de Cuidador de Idosos do Senac Santos.

Não ao tédio!

Ficar muito tempo sem ter o que fazer pode gerar aborrecimento, impaciência, melancolia e tristeza. Para evitar isso, busque por ações de entretenimento condizentes com a possibilidade de realização de cada idoso. “Estimular a leitura de livros de linguagem leve, de acordo com o nível intelectual do idoso, é uma boa opção. Propor partidas de jogos de tabuleiro, dominó, de adivinhação ou de memória estimulam muitos sentidos, inclusive o raciocínio lógico, e são muito bem-vindos. Ver fotos, assistir filmes e séries também podem ser uma boa pedida. Evite os dramas com histórias muito tocantes ou estimular situações que causem emoções que o cuidador não tenha controle. Dê preferência às comédias, aos romances e até documentários”, recomenda Marcia Cristina Richieri, enfermeira, pedagoga e docente da área de saúde e bem-estar do Senac Osasco.

Em movimento contínuo

Mesmo dentro de casa, não é preciso parar com a rotina de exercícios, principalmente os de intensidade leve ou moderada.  “Incentivar a atividade física e os cuidados com o corpo é sempre bom. Durante o isolamento, ajuda a passar o tempo de maneira saudável. Procurar na internet alguns exercícios leves, fáceis e que podem ser feitos em casa, como alongamentos, yoga, pilates, dança e até musculação, é uma boa estratégia. Só é importante conhecer e estar atento aos limites físicos de cada um para prevenir acidentes, além de acompanhar bem de perto as práticas”, diz Marcos Rodrigues de Oliveira, que é técnico de enfermagem, socorrista e docente dos cursos da área de saúde e segurança do trabalho no Senac Santos.

Hobby favorito

Paralelamente à rotina de exercícios físicos, é recomendado estimular as atividades que cuidam da mente. “Cozinhar, ouvir música, tocar um instrumento, cultivar plantas, pintar, desenhar, fazer artesanato ou outras ações que trabalham com o intelecto de maneira sutil, mas bastante positiva e efetiva, é muito útil para desenvolver a criatividade, estar ativo, além de espantar o ócio e o tédio. Isso independente do período de isolamento, é uma dica constante para manter a autonomia e lucidez, como possível, evitando infantilizar os idosos”, recomenda Mirna.

A tecnologia como aliada

“Usar recursos tecnológicos a favor da qualidade de vida sempre foi uma boa pedida, mas atualmente, ela está sendo fundamental. Use e abuse das facilidades:  faça muitas ligações e chamadas de vídeos, sempre que possível, é claro. Converse sobre assuntos positivos e esperançosos, evite comentar casos negativos e tristes, mas sem esconder os fatos, especialmente durante esse período de confinamento causado por uma pandemia” orienta a docente e especialista nos cuidados com idosos, Marcia Richieri.



Mente e corpo saudáveis

Marcos completa a lista de boas recomendações ressaltando a importância de manter o idoso ativo, assim como não descuidar da hidratação, da reposição de energia e da mente. “Além de fazê-lo beber água regularmente, é ideal proporcionar minutos de banho de sol, sempre antes das 10 horas e depois das 16 horas, para o corpo absorver vitamina D, fundamental para a manutenção da saúde óssea, com influência na absorção e fixação do cálcio, para o controle das funções imunológicas, crescimento e renovação celular, tudo a depender do tempo adequado de exposição. Especialmente para a saúde dos idosos, alguns estudos científicos indicam que essa vitamina pode auxiliar no tratamento e prevenção da demência, como o Alzheimer, dependendo, é claro, de uma série de fatores e patologias, bem como o funcionamento biológico de cada um”, explica Marcos Rodrigues.


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